V · Brainspotting

O que é brainspotting.

Terapia cérebro-corpo derivada do EMDR — usa pontos do campo visual que correspondem a emoções e sensações físicas para acessar e processar trauma psicológico em nível subcortical.

As terapias cérebro-corpo trabalham com o cérebro em sua totalidade, incluindo regiões mais profundas e primitivas, envolvidas nas marcas do trauma psicológico — em contraposição à terapia de fala, que se apoia sobretudo nas partes mais racionais do cérebro. É também uma abordagem bottom-up (ver a página de EMDR para detalhes).

No brainspotting, localizamos um ponto do campo visual enquanto o cliente pensa no tópico a ser trabalhado, observando a ativação que surge (emoções, sensações físicas, movimentos involuntários) — o que permite acessar o material traumático em profundidade. A técnica é usada também com atletas, artistas e outras profissões que exigem criatividade, para trabalho de desempenho e desbloqueio de potencial.

Aplicações

Além dos traumas psicológicos (simples ou complexos), que são seu território de origem, o brainspotting é utilizado em:

  • bloqueios de aprendizado e crenças limitantes;
  • performance, desempenho e expansão de criatividade;
  • depressão, ansiedade, desregulação emocional;
  • dores crônicas, fibromialgia, quadros psicossomáticos;
  • medos e fobias, pânico;
  • disfunções sexuais;
  • traumas físicos, adicções, dentre outros.

Evidência científica, dita com honestidade

O brainspotting é uma abordagem jovem — foi desenvolvido por David Grand em 2003 —, e sua base de pesquisa ainda está em construção: há estudos de caso, séries clínicas e estudos comparativos pequenos, mas ainda não há ensaios clínicos randomizados de grande porte. Isso significa que, hoje, sua sustentação é sobretudo clínica e observacional — diferente do EMDR, que acumulou décadas de ensaios e recomendação em diretrizes internacionais.

Digo isso abertamente porque é assim que trabalho. O que observo na prática — e é o que a área vem relatando — é que, em alguns casos, a resposta é expressiva. Isso é percepção clínica, minha e de quem trabalha com o método: não é metanálise, não é ensaio controlado, e não sustenta dizer que o brainspotting seja superior a qualquer outra psicoterapia de forma geral. Não é. O que a experiência sugere é que, para certas pessoas e certos quadros, ele abre um caminho que outras abordagens não abriram — e isso é diferente de ser melhor. Quem considera a abordagem merece saber as duas coisas separadas: o que a prática sugere e o que a ciência já confirmou.

Cuidados e contraindicações

O brainspotting é uma técnica segura quando conduzido por profissional treinado, e contraindicações absolutas são raras. Como toda abordagem que aproxima a atenção do corpo e do material traumático, pede avaliação individual: em quadros dissociativos ou de trauma complexo, o ritmo, a estabilização prévia e a ordem do trabalho importam — e é papel do terapeuta ajustá-los. Essa avaliação faz parte da própria sessão inicial.

Modelo de atendimento

O brainspotting é feito online, na sala de atendimento do Persona, com ferramenta própria de estimulação bilateral sincronizada. As sessões duram 50 minutos, e é possível agendar sessões duplas para quem desejar um trabalho mais longo.

A frequência usual é de uma sessão por semana. A duração do tratamento depende das questões a serem trabalhadas e da velocidade com que cada pessoa reprocessa os conteúdos.

Formação

Formação em Brainspotting pela Trauma Clinic, reconhecida pela AIBAPT (Associação Ibero-Americana de Psicotrauma) e também pelo Brainspotting Institute.

Material adicional

Livros

Links

Artigos científicos em português

Artigos científicos em inglês

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